Os objectivos são todos bons?

De como os objectivos podem destruir uma vida. De como os objectivos podem reconstruir uma vida. Lembro-me de um professor que contava a história de um cliente que lhe falava assim:   – Sabe? Eu acho que a minha vida foi… a determinada altura olhei para um arranha céus e disse: “Vou subir este arranha-céus”. Pus a escada a jeito e fui subindo com gotas de suor e dores por todo o corpo, até ao topo. Chegado lá cima, olhei para baixo e pensei para mim mesmo: “Acho que subi o arranha-céus errado!”. Outro professor contava de um cliente que tinha chegado a todos os seus objectivos (carro de topo, carreira de topo, salário de topo e casa de topo) e mergulhou numa depressão profunda, lutando para redescobrir um sentido na sua vida. Há objectivos mais métricos como resultados de vendas, ou volume de produção que são mais fáceis de visualizar. No entanto, entrevistas com idosos todos dizem que gostariam de ter passado mais tempo com a família e menos no trabalho. Mais do que perseguir objectivos sem critério é preciso a coragem de percebermos, para começar, quais são realmente os objectivos que queremos  alcançar, escutarmo-nos a nós próprios e percebermos realmente qual é o sentido na nossa vida.

Hoje vou deixar-me sonhar.

Sonhar?

Num grupo de transformação pessoal (GTP) que estou a facilitar na Junqueira, uma amiga reafirma a sua luta contra o cinismo. Está pois em guerra contra a posição de muitas pessoas que desistiram de sonhar.
– Para que me vou pôr a sonhar? Para me desiludir e depois ficar pior do que o que estou? – conta ela.
Pergunto então para que servem os sonhos. Serão uma espécie de bomba relógio de desilusão? Porquê tanto medo de sofrer por causa dos sonhos?
Passeava com uma amiga pela Junqueira e ela falava-me de um sonho para logo a seguir dizer: “Eu sei que isso não vai acontecer”. Chamo a isto o absolutismo do impossível. Para sabermos que um sonho nosso não vai acontecer temos que ter uma certeza a 100%. Absoluta, como dizia. Enquanto que para acreditar na possibilidade de um sonho acontecer, basta um bocadinho de fé. Um 0,01% basta.
No coaching psicológico para além dos objectivos, trabalha-se muito com sonhos. Embora haja sempre uma implicação de agir no sentido do que se quer. Na psicoterapia as pessoas sonham-se mais livres e mais auto-confiantes.
Creio que há lugar ainda para uma experienciação do sonhar de forma assistida e antevejo um enorme poder terapeutico disso.
E como é que funciona isto do sonhar? É preciso aprender? É preciso praticar?

A ansiedade e os tempos que correm.

É mais fácil pensar do que agir. Creio que todos concordaremos com esta afirmação. Com o meu pensamento, em poucos segundos, posso fazer um mapeamento mental de todas as tarefas que são precisas realizar agora nas limpezas da Páscoa. Outra coisa é eu conseguir fazer todas essas tarefas num tempo que me agrade. O que me custa minutos a mapear, pode demorar dias ou semanas a executar.

Agora vamos assumir que eu vou dizendo que sim a todas as tarefas que me ocorrem, que as quero realizar a todas no espaço de uma semana: se eu tiver uma mente que trabalha em permanente optimização, vai ser muita a energia que vou dispender no planeamento do trabalho que me propus a fazer. Embora o nosso cérebro seja uma máquina extremamente potente com biliões de neurónios e um número de ligações entre eles superior ao do conjunto dos àtomos na universo, é provável que o nosso cérebro “aqueça” com tanto discernimento a fazer.

A vida contemporânea e assim: mais tarefas a realizar, mais informação a reter e a processar e quase sempre uma escassez de tempo para fazermos aquilo que é mais importante: pararmos um pouco para uma reunião connosco próprios.

O renomado psicólogo humanista via a incongruência como a base da ansiedade.

Carl Rogers, o famoso psicólogo humanista do século XX, pai da abordagem centrada na pessoa afirma que a base da ansiedade seria a incongruência. Em termos simples seria a diferença entre a experiência do nosso organismo e aquilo que é proveniente do mesmo e acessível à nossa consciência. Muitas vezes não aceitamos algumas reclamações do nosso eu por serem difíceis de enquadrar nas nossas decisões. Por exemplo: posso estar farto do meu emprego, mas ainda não ter tomado consciência disso porque não é aceitável para mim tal coisa, dados os meus valores de esforço, trabalho e sacrifício. Desta forma podemos ver a ansiedade como uma tentativa de comunicação do nosso eu que nos quer dizer que as coisas não estão bem e que há alguma coisa que é preciso mudar. Para isto é preciso tirar o tempo e parar para nos compreendermos a nós mesmos. Sabermos o que queremos e quais são as nossas reais necessidades no momento.

Estudos recentes sublinham as características ansiogénicas da nossa sociedade. Múltiplas tarefas, múltiplos dispositivos a exigirem a nossa atenção, muitos modelos a dizerem que temos que atingir determinados objectivos caso contrário é-nos negado o nosso valor como pessoas. É muito fácil sofrer de ansiedade e são muitas as complicações adicionais que esta traz.

Há solução para este problema. Felizmente, há  muitos profissionais treinados que o podem ajudar. Contudo, convém não abusar da sua saúde. A ansiedade é uma das principais causas da perda de qualidade de vida.